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Casar não é O grande acontecimento.
Encontrar alguém é.
Confiar em alguém é. 
A reciprocidade é. 
Dizer sim pra coisas que você não tem noção de como serão, é. 
Prometer ser forte por alguém é. 

Se trata de uma grande construção, você não casa da noite pro dia.

A cerimônia 
é um monte de dinheiro investido em uma festa que pode te frustrar, 
mas não tem problema também porque é só uma festa,
E o casamento, não é sobre a festa. 
A festa são só formalidades. 
Casamento é sobre tudo que vem depois. 

É sobre cozinhar junto, 
aquilo que a gente não tem noção se vai ficar bom. 
É sobre as músicas novas que vão virar nossa playlist. 
É também sobre os dias sem grana. 
Sem fotos bonitas. 
E é sobre os dias de querer sair correndo também. 
É sobre os dias que parece que o outro fala outra língua,
mas uma língua que a gente não consegue entender mesmo com curso
(no caso de você ter casado com um nativo de outra língua). 

É sobre os dias de querer não ter casado também. 
É sobre dias de se perguntar pra si mesmo se vai dar tudo certo e ficar com medo 
esses dias existem e tá tudo bem
Contanto que ninguém solte a mão de ninguém, tá tudo bem. 
Contanto que a gente consiga conversar e continuar vendo no outro aquilo que fez nossos olhos brilharem um dia, tá tudo bem. 
Contanto que a gente consiga olhar o outro com amor, tá tudo bem. 
Porque se a gente não conseguir mais, 
A gente precisa permitir que todo mundo vá buscar sua felicidade 
E mesmo que isso pareça incrivelmente triste 
Também está tudo bem 
Porque casamento é muito mais sobre o bem estar do outro 
Do que as nossas pequenas vontades 
O sucesso do casamento não é se ele dura
Mas se as pessoas se amaram o suficiente 
Para colocar o bem do outro acima do seu próprio 
Até quando isso significa deixar o outro partir 
As vezes as pessoas se perdem umas das outras
A gente pode se perder um do outro 
Mas que a gente nunca se perca da gente mesmo 
Porque aí, mesmo que a gente tenha o outro
Não vai estar tudo bem

Casar é sobre abraçar o incerto, 
é topar conhecer um lado nunca antes explorado, 
de alguém que a gente já achava conhecer 
(a gente nunca conhece alguém até morar com essa pessoa).
É sobre fazer de alguém uma parte da gente, alguém que não participou 
da formação de quem somos, 
e que provavelmente não sabe 
todos os nossos segredos e defeitos, 
(como nós também não participamos de tudo e não sabemos todos os segredos e defeitos).
E é sobre fazer disso tudo algo mágico. 
A gente se descobre no caminho.
A gente cresce junto. 
A gente compartilha os aprendizados da vida, conta os segredos, 
a gente vai descobrir que o amor sempre supera os defeitos 
e ai a gente de repente não tem mais vergonha de se mostrar. 


É tão bom poder ser a gente mesmo com alguém que não seja nossa melhor amiga. 
É tão bom saber que alguém ainda te acha linda no dia que você tá cheia de espinhas. 
A gente coloca os cremes na cara, 
faz as máscaras de argila, 
usa os moletons. 
A gente conta as mesmas histórias 
100 vezes 
e não tem mais medo de ser chato 
ou repetitivo, 
porque a gente também abraça quem o outro é e se sente abraçado. 
Por um outro ser que agora é parte da gente. 
Um outro ser que agora é mais Íntimo 
do que todas as outras pessoas
que já nos foram íntimas, 
aqueles grandes amigos com quem vivemos as aventuras mais incríveis. 
Um ser que agora é LAR. 

Quando a gente se acostuma? 
Eu não cheguei lá ainda. 
Mas é bom demais saber que eu não estou sozinha nesse mundão, 
e é tão bom saber que tem alguém 
que não vai soltar da nossa mão! 
É tão bom sentir reciprocidade 
sem precisar ‘jogar’ o tempo todo. 
É bom acordar de manhã sendo abraçada sem ter feito nada pra merecer isso.
É tão bom ter alguém que corre atrás e insiste na gente. 
As pessoas não insistem mais nas outras. 
As pessoas não fazem mais questão. 
Nossa geração tecnológica imediatista 
não tem problema de jogar fora no primeiro sinal de defeito. 
É acessível demais ter ‘outro’. 
É incrível encontrar alguém que faça questão. 
É incrível encontrar alguém que invista seu tempo. 
É incrível encontrar um ser que diga sim 
pra tudo que a gente é 
e que tope sem medo 
 tudo que a gente ainda pode ser, 
mesmo sabendo 
que as possibilidade são infinitas. 
É incrível poder descobrir como alguém pode ser bondoso e puro todos os dias com a gente, mesmo com os nosso inúmeros defeitos. 
Do mundo onde eu venho, isso não existe mais, 
a gente canta que ‘não há amor em SP’. 

Eu acho que não existiria uma melhor descrição pra esse sentimento do que o de Jesus:
Tudo suporta, tudo sofre, tudo crê, tudo espera. 
Eu ainda não descobri muita coisa sobre isso, mas eu to disposta à aprender. 

Hoje, casada, acredito  que casar tenha a ver com duas pessoas muito corajosas, que toparam encarar essa loucura que é a vida, de mãos dadas com um desconhecido, que vira a pessoa mais importante da nossa vida durante essa aventura, 
acreditando que o amor tá acima de tudo que possa acontecer. 
Mas o AMOR, não ‘a gente’
Casar não é o grande acontecimento. 
Encontrar alguém, é. 
E nunca é como a gente imagina. 
Ainda bem, 
E que esse bem, 
Seja acima de tudo, 
O nosso, mesmo que um dia isso signifique não existir mais um ‘nos’
Porque no fim das contas o mais incrível de tudo, 
Mais incrível ainda do que dividir a vida com alguém 
É não se dividir 
É continuar inteiro. 
É não deixar que as pequenas concessões 
Levem nossa identidade 
Nossa felicidade 


Sorte pra gente. 
Casar é um tiro no escuro 
Feliz de quem sobrevive. 
Feliz de quem consegue encontrar o equilíbrio.
Feliz de quem consegue eternizar o amor,
que existe depois do ‘felizes para sempre’
que os filmes nunca querem nos mostrar.

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