Pular para o conteúdo principal
Fiquei um período longe das redes sociais.
Duas semanas, três. Não contei.
Precisava respirar.
Precisava ter a liberdade falar que minha vida estava uma bosta e que fiz escolhas erradas sem platéia. Sem me sentir uma fracassada na ‘frente de todo mundo’. 
Senti algo estranho.
Era uma obrigação de ser feliz.
Uma obrigação estar tudo bem. 
Uma obrigação de não deixar transparecer nem por um minuto o quando eu estava ficando louca, depressiva, e com início de síndrome do pânico. 
Há uns meses atrás, eu deixei que alguém tirasse uma parte importante da minha vida. 
Era uma pessoa importante.
Achei que iria me recuperar, achei que iria passar rápido até que eu pudesse me reconstruir aquela ‘parte’ de novo. 
Não passou. 
Não consegui reconstruir. 
Fiquei perdida. 
A infelicidade alheia parecia tão bonita no Instagram que achei que não tinha problema ser infeliz 
O que importava era que a gente seguia o ciclo: todo mundo fingia que tava bem, todo mundo fingia que tava fazendo algo interessante, todo mundo curtia, e tava tudo bem.
Acordava chorando todos os dias e não sabia porque. Eu estava ficando agressiva. Gritava sem motivos e todas as minhas respostas para tudo eram rudes. Me achei a pessoa mais infeliz da terra e não conseguia constatar um porquê exato sem culpar as pessoas à minha vida. 
Pensei em acabar com meu casamento inúmeras vezes. 
Decidi ficar um tempo em silêncio. 
Silêncio dos aplausos e aprovações alheias sobre a felicidade que eu e a nossa sociedade doente fingimos ter nas redes sociais. 
Lembrei quem eu era. 
Eu não to te falando que to bem! 
Mas to te falando que to melhor que ontem. 
Que todo dia é uma conquista nova. 
To te contando que eu prefiro ser uma verdade mesmo que essa verdade seja triste. Porque como diz meu Irmao e melhor amigo, na minha verdade, Jesus pode me curar, não tem problema quão ruim eu esteja, mas na minha mentira, por mais bonita que seja, por melhor que seja o meu fingimento, Jesus não pode fazer nada.
E aí, eu escolhi te falar, que não tá tudo bem.
Eu pensei em começar esse texto te falando que não tá tudo bem na vida de 98% das pessoas que eu conheço, porque aí, ia parecer menos triste eu te conter o como to mal! Mas aí lembrei que se as outras pessoas estão bem ou não, não muda nada na minha vida. 
Acredito que no fundo, no fundo, tá todo mundo tentando. 
A gente faz o que pode, o que dá.
Uns preferem fingir. 
As vezes acho que essa é a maneira que preferem agir pra acreditarem que são fortes e que estão aguentando, eu já joguei esse jogo. Hoje tento pensar que a melhor maneira de lutar, é assumindo as verdades que eu já alcancei sobre mim mesma. As vezes elas são tão doloridas que eu quero sair correndo pro mais longe que eu puder. Eu penso em fazer isso todo dia. Hoje é mais um dia que eu venci e não fiz.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Eu sinto saudade de casa. É constante.  Não passa. Sonho com São Paulo, sonho com o Brasil. Eu sonho com cada um que eu deixei.  O mais dolorido é lidar com tudo isso. Porque tudo já mudou. Tudo muda. A vida das pessoas não para quando a gente viaja. Todo mundo continua, e mesmo que sem muitas coisas incríveis, a nossa vida continua também, mesmo que seja arrastada.  Eu tenho medos. Eu nunca tive medo de nada antes. Eu tenho medo de não ver minha vó envelhecer.  Tenho medo de meus irmãos não lembrarem dos momentos que já tivemos, e eu ser só a irmã que mora em outro País.  Eu tenho medo de perder o lugar no coração da minha Mãe.  Eu ligo pra casa toda semana.  Tento não ligar quando estou muito depressiva. Ninguém merece me ouvir quando estou depressiva. Nesses dias nem eu queria estar comigo.  Eu sinto saudade de andar nas ruas da República de noite.  Sinto saudade da vila Madalena, de cada esquina com ...
 Eu sempre odiei muito fácil.   Não acho bonito falar isso.   Eu tenho uma dificuldade incrível da amar as pessoas.  Eu não tive Pai presente na minha infância ou adolescência, mas tive Mãe, avó e Tia que eram tudo que eu precisava.  Mulheres muito muito muito fortes.  Me ensinaram valores e filosofias incríveis que carrego até hoje,  Me ensinaram a ser de verdade, a ser intensa, a ser correta...  Sou quem sou por causa delas.  Numa atmosfera dessa, meu cérebro desenvolveu vários padrões,   Um, me fez ver mulheres como grandes guerreiras  e homens como pessoas muito fracas e frágeis    Esse padrão foi fruto da relação que desenvolvi com meu Pai na infância,  Das poucas vezes que ia me ver, ele chorava nos locais públicos e me pedia desculpas por ser um pai tão ruim, Aí, sumia se novo, por mais alguns anos.  Não ajudava minha mãe financeiramente, e colocava a culpa de não ir me v...
Casar não é O grande acontecimento. Encontrar alguém é. Confiar em alguém é.  A reciprocidade é.  Dizer sim pra coisas que você não tem noção de como serão, é.  Prometer ser forte por alguém é.  Se trata de uma grande construção, você não casa da noite pro dia. A cerimônia  é um monte de dinheiro investido em uma festa que pode te frustrar,  mas não tem problema também porque é só uma festa, E o casamento, não é sobre a festa.  A festa são só formalidades.  Casamento é sobre tudo que vem depois.  É sobre cozinhar junto,  aquilo que a gente não tem noção se vai ficar bom.  É sobre as músicas novas que vão virar nossa playlist.  É também sobre os dias sem grana.  Sem fotos bonitas.  E é sobre os dias de querer sair correndo também.  É sobre os dias que parece que o outro fala outra língua, mas uma língua que a gente...